04 fevereiro 2018

Edifício Inteligente - Eu Quero Morar/Trabalhar em Um



A onda agora é tudo “Inteligente”; é Casa Inteligente, Edifício Inteligente, Cidade Inteligente, Carro Inteligente...

Mas, o que realmente significa essa “Inteligência”? e como ela se aplica ao Edifício Inteligente, nosso assunto deste post?

Não vou entrar nos detalhes técnicos envolvidos, mas podemos dizer que essa inteligência considera os seguintes fatores:
  • Precisamos de dados vindos diretamente da coisa inteligente, seja ela uma casa ou um edifício. Isto significa que, obrigatoriamente, esta coisa precisa ter sensores nos enviando esses dados. Podemos estar falando de sensores de temperatura, de presença, de luminosidade, de nível de reservatórios de água, entre tantos.
  • Precisamos de dados vindos do ambiente onde esta coisa se encontra, e estes dados normalmente são fornecidos por sensores de outras coisas inteligentes. Um exemplo seria o uso dos sensores de luminosidade da iluminação pública para “saber” que há nuvens cobrindo o sol a uns 500 metros de distância e vindo em sua direção.
  • Precisamos de formas de atuar sobre a coisa inteligente. Isso pode ser feito através de equipamentos comandando a iluminação, os aparelhos de ar condicionado, as cortinas, as fechaduras, as bombas de água...
  •  Precisamos da inteligência. Esta pode ser dividida em três partes:

o   A chamada Inteligência Local, que está localizada dentro da coisa inteligente, dependendo apenas de redes de comunicação internas. Essa inteligência será responsável pelas ações imediatas, pré-programadas, como regular a iluminação conforme informações de seus sensores de luminosidade.

o   A chamada Inteligência na Nuvem, localizada com algum provedor de serviços na Nuvem. Esta parte é responsável por receber os dados da coisa inteligente, buscar os dados complementares de terceiros, como serviços de meteorologia ou avisos de disponibilidade de energia elétrica vindos da distribuidora. Esta inteligência transforma estes dados em informação e a usa para coordenar as ações globais, incluindo a passagem de instruções para a Inteligência Local, a interação com os usuários e a apresentação de informações gerenciais para auxílio à tomada de decisões por parte dos gestores da coisa inteligente.

o   A chamada Inteligência Artificial, também localizada em uma plataforma na Nuvem. Esta parte é responsável por observar, aprender, “inferir” e redefinir objetivos. Ela acompanha as informações vindas da coisa inteligente ao longo do tempo e as analisa, visando detectar comportamentos repetitivos e assim poder prevê-los. Um exemplo dentro de um edifício seria “entender” que mesmo os funcionários em home office (que vêm ao escritório apenas quando querem) têm um comportamento previsível e costumam vir com mais frequência na última quinta-feira do mês. Com isto, a Inteligência Artificial pode prever e preparar a necessidade de maior consumo de ar condicionado, energia elétrica e até vagas no estacionamento.
A Inteligência Artificial também é muito útil para observar comportamentos fora de um padrão esperado, principalmente quando falamos de equipamentos elétricos como bombas e elevadores e, com essas informações determinara necessidade de manutenção preventiva.

Um exemplo da aplicação destes três níveis de inteligência seria o caso do controle de luminosidade de dentro de um refeitório. A Inteligência Local, utilizando as informações de sensores de presença e de luminosidade, comandaria a iluminação conforme a presença de pessoas no ambiente. Com um pouco de esforço poderia até dividir o ambiente em zonas e comandar as zonas individualmente. Se alguém se dirigir a uma zona que está mal iluminada, a Inteligência Local acenderá as luzes desta zona.

Já a Inteligência na Nuvem fará o controle mais preciso da intensidade necessária conforme informações sobre a luminosidade externa e sobre a quantidade de pessoas presentes em cada zona, passando estas informações para a Inteligência Local comandar a iluminação com mais refinamento.

Já a Inteligência Artificial sabe, pois observou ao longo do tempo, a curva de ocupação do refeitório minuto a minuto e sabe prever o fluxo ao longo do dia. Assim, esta Inteligência coordena a iluminação de cada zona de acordo com a necessidade de momento, iluminando uma determinada zona apenas momentos antes de ser necessária, como que convidando os usuários a ocupar este espaço.  Mas também buscará otimizar a ocupação, instruindo a Inteligência Local a não iluminar uma determinada zona, mesmo que pessoas se dirijam a ela, enquanto houver espaços vazios nas áreas já iluminadas.

Tudo isso para falar sobre Edifícios Inteligentes. Mas porque queremos Edifícios Inteligentes? Com certeza há um investimento em tecnologia que precisa ser feito e este investimento precisa trazer um retorno financeiro, se não será muito difícil de se justificar.

Um dos principais focos para se investir em transformar um Edifício em Inteligente é aumentar sua eficiência energética, justificando o investimento pela redução de custos que pode ser obtida.

Mas há outros fatores que podem contribuir para aumentar os retornos tangíveis e não-tangíveis. As três maiores áreas são: segurança, custo operacional e rápida adequação às legislações e políticas de incentivo governamentais.

Depois do investimento feito e dos principais retornos financeiros e operacionais obtidos, há ainda várias áreas onde a “Inteligência” do Edifício pode ser usada, melhorando o gerenciamento dos ativos e do conforto de seus ocupantes.

Mas vejamos quais podem ser as principais tendências tecnológicas em Edifícios Inteligentes nos próximos anos:

Eficiência Energética
Tudo começou com algumas iniciativas localizadas, como a troca de lâmpadas de alto consumo por lâmpadas LED e a troca de equipamentos de ar condicionado velhos por novos e mais eficientes. Os investimentos eram fáceis de serem calculados e seus retornos, se não muito altos, eram de longa duração.

Mas agora é preciso dar passos mais tecnológicos. Aqui incluímos controle individual de cada ambiente, controle dinâmico de temperatura, ações antecipadas baseadas na previsão de ocupação, entre outros. Para que essas soluções sejam eficientes, haverá a necessidade mais sensores e mais fontes de dados para que as decisões possam ser tomadas mais eficientemente.

Redução de Custos Operacionais
Os Edifícios Inteligentes precisam ter uma infraestrutura de tecnologia da informação bastante complexa e o caminho natural é utilizar esta infraestrutura para também otimizar os custos operacionais, compartilhando recursos entre os vários setores, como segurança, operação de maquinário, atendimento ao usuário/cliente, análise de dados e gerenciamento.

Gerenciamento de Ativos
Incluímos aqui não apenas os ativos diretamente relacionados com a manutenção e operação de um edifício, mas também os relacionados com sua utilização como um negócio comercial. As câmeras de segurança podem também ser utilizadas para observar a utilização de espaços, dando informações que permitam a otimização de seu uso.

A coleta continua de informações sobre os principais equipamentos de um edifício, como os elevadores, portões elétricos e bombas de água permitirá a implantação de ferramentas de manutenção preventiva e preditiva, minimizando as perdas com equipamentos fora de funcionamento ou com manutenções corretivas, sempre mais caras e nem sempre bem feitas, devido à urgência da situação.

Novas Tecnologias Reduzindo o Custo dos Investimentos
As novas tecnologias como a Internet das Coisas e o desenvolvimento de sensores cada vez mais baratos incentivará o investimento em transformar pequenos e médios edifícios em Edifícios Inteligentes. O investimento será menor graças a estas tecnologias e os benefícios estarão ao alcance de um número maior de usuários.

Maior Conforto Significando Maior Produtividade
O controle mais preciso de grandezas como temperatura, umidade e luminosidade trarão maior conforto aos ocupantes do edifício e, como consequência já provada através de estudos, maior produtividade.

Integração com A Cidade Inteligente
Uma Cidade Inteligente fica mais inteligente e de forma mais rápida quando pode contar com um bom número de Casas e Edifícios Inteligentes. As informações poderão ser melhor integradas e as ações que a Cidade Inteligente precisará tomar em um determinado momento poderão incluir as Casas e Edifícios, aumentando sua eficácia e reduzindo seu custo para obter os resultados esperados.

Contribuição Social
Um Edifício que seja inteligente é também eficiente, maximizando os benefícios obtidos a partir dos recursos consumidos. É uma forma clara de contribuir com o meio ambiente e obter vantagens com isso.

Acredito ser o momento onde todos os envolvidos, sejam construtores, futuros proprietários, investidores ou governos, devem dar à inteligência de suas casas e edifícios o correto valor de um investimento que vale a pena por todos os retornos, tangíveis ou não, que obterão.

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