24 abril 2018

30 março 2018

Você Precisa de uma Plataforma de Internet das Coisas!



Vamos ser realistas, não se consegue os benefícios da Internet das Coisas sem uma plataforma na Nuvem. Precisamos de uma infraestrutura que possa aplicar conceitos de aprendizagem e de inteligência artificial sobre os dados obtidos através das redes de sensores. Esta infraestrutura é a chamada Plataforma na Nuvem ou Plataforma de IoT.

Portanto, a escolha adequada da Plataforma é uma decisão crítica para qualquer empresa que utilize IoT, tanto como parte de sua oferta ao mercado quanto para o gerenciamento interno do seu negócio.

Há uma variedade de empresas oferecendo estes serviços de plataforma, cada uma com suas características diferenciadoras. A seguir apresentamos alguns pontos que devem ser levados em conta nesta escolha, visando ajudá-lo na escolha.

Escalabilidade
Primeiramente é necessário pensar em tamanho e aqui você precisa ter uma ideia de como acha que seu uso da plataforma vai crescer ao longo do tempo. Três critérios devem ser considerados:
  • Quantidade de geradores de dados, sejam eles sensores ou outras fontes como provedores de informações meteorológicas. Aqui a preocupação deve considerar a quantidade de fontes de dados.
  • Tráfego de dados. Aqui a preocupação deve considerar o tráfego instantâneo, ou seja, quantas informações chegam à plataforma em um determinado intervalo de tempo.
  • Quantidade de dados armazenados. Aqui é importante analisar o volume de dados que devem ser guardados, pelos mais variados motivos. Eles podem ser guardados como histórico para acompanhamento (temperatura de um determinado ambiente controlado), para consulta pontual (imagens de uma câmera de segurança) ou para análise de tendências (consumo ao longo do tempo de um determinado equipamento elétrico).
É importante lembrar que em muitos casos os dados são guardados apenas por um determinado tempo e, depois de analisados, é necessário guardar apenas os resultados destas análises (quantidade de chuva em um determinado dia).


Você precisa escolher uma plataforma que permita um gerenciamento fácil de crescimento, que lhe permita ir acrescentando fontes e aumentando seu volume de dados sem interromper o funcionamento do que já está instalado.

Compatibilidade de Protocolos
A plataforma a ser escolhida deve permitir que você use uma variedade de protocolos de comunicação ente as fontes geradoras de dados e seus algoritmos de tratamento destes dados. Não deve ser sua preocupação esta conectividade, desde que você escolha padrões de mercado para seus equipamentos.

A plataforma deve ser capaz de receber estas informações e oferecê-las aos seus algoritmos sem diferenciação. Não deve lhe interessar qual canal de comunicação foi utilizado, desde que a informação chegue à plataforma de forma completa, o que deve incluir, por exemplo, o timestamp do momento em que a informação foi coletada pelo sensor (e não o timestamp de quando chegou à plataforma).

Preços
Analise muito bem os preços oferecidos pelos provedores de plataforma IoT. Verifique quais parâmetros podem alterar preços: volume, tráfego e número de fontes podem ser tratados de formas diferentes por diferentes provedores.

É importante você pensar em como você considera estes custos. Se você for um fornecedor de serviços a terceiros, provavelmente cobra uma taxa mensal. É importante você entender quanto custa incluir ou excluir um certo grupo de sensores na plataforma, pois alguns provedores podem cobrar taxas adicionais pontuais para as alterações na estrutura sendo utilizada.

Se você é fornecedor de equipamentos, é praxe do mercado oferecer o primeiro ano de serviços de graça, para depois cobrar uma taxa mensal para manter o serviço. Aqui é importante notar que o mercado não está preparado para um produto que dependa de pagamentos mensais, então, após o período gratuito você deverá oferecer pelo menos serviços básicos sem custos ao cliente. Isto deve ser levado em conta no seu planejamento financeiro.

Se você está usando a plataforma IoT diretamente para seu benefício, melhorando serviços e performances de sua própria empresa, considere três coisas. A primeira é o investimento inicial, envolvendo pessoal e equipamentos. Em seguida, considere os custos recorrentes com a plataforma e com sua própria estrutura de suporte aos seus clientes internos. Por fim, considere o custo para “desmanchar” o que foi feito, caso o investimento não apresente o retorno esperado.

Independência de Gerenciamento
Procure entender dos candidatos a provedor de plataforma qual sua independência no uso. É importante saber o quanto você depende deles para alterações e, principalmente, para “troubleshooting”, uma vez que quem vai atender o chamado do seu cliente é sua empresa e depender de terceiros pode influenciar negativamente na qualidade do serviço que você está prestando. Por outro lado, excesso de independência pode gerar custos adicionais, como mão de obra mais especializada.

Localização
Analise se você tem na sua empresa a capacitação para lidar com as ferramentas da plataforma em inglês ou se precisa de um provedor que consiga lhe dar um atendimento e as ferramentas de programação localizadas para o português. Pode não parecer importante, mas na hora de um atendimento a um ciente, ter funcionários que não tenham dificuldades em lidar com as ferramentas irá aumentar a satisfação percebida.

Quais plataformas estão disponíveis no Brasil?
Teoricamente praticamente todas estão disponíveis, uma vez que este mundo de Internet e IoT é universal. Contudo, por questões comerciais e de impostos, nem todos trabalham com clientes brasileiros. Mesmo assim, a lista é grande e não podemos pensar em colocá-las neste post pois com certeza não conseguiríamos incluir todas.

Tenha certeza que todas as grandes estão disponíveis.

E lembre-se sempre de pesquisar sobre os provedores e sobre a satisfação dos clientes deles quanto a disponibilidade e facilidade de uso.

25 março 2018

O Vinho Azedou!


Uma das coisas que gosto sobre tecnologia é seu uso, digamos, inusitado. A Internet das Coisas abre um leque ainda desconhecido de possibilidades, bastando ter visão e imaginação para desenvolver produtos e aplicações que possam se diferenciar no mercado.

E que tal uma garrafa de vinho conectada? Funciona assim: imagine um kit completo, formado por uma “camisa” e garrafas especialmente projetadas para se encaixar na “camisa”.

Esta camisa tem um touchscreen com várias funcionalidades e é conectada via WiFi com a Internet. Esta camisa também tem uma válvula especial que se encaixa nas garrafas para poder servir o vinho e também preservá-lo quando não está sendo tomado.

Como essas garrafas tem um formato especial para casar com a camisa, você tem que comprá-las do mesmo fornecedor, mas ele lhe oferece uma vasta gama de opções, diretamente dos melhores produtores.

Com a tela touchscreen da camisa você pode dar nota aos vinhos que toma, receber recomendações e encomendar mais garrafas. Pode também navegar por páginas de informações sobre as vinícolas e uvas, aumentando seu conhecimento enquanto aprecia uma taça de vinho.

Parece uma ideai interessante, um bom uso da tecnologia?

Pois bem, uma startup americana chamada Kuvée tomou esta iniciativa e colocou este produto no mercado americano. E quanto custa tudo isso? A compra inicial, que inclui a camisa e quatro garrafas, sai por $178 (dólares americanos) e depois você pode fazer uma assinatura de vinhos para receber mensalmente ou a cada dois meses.

E a Kuvée conseguiu rapidamente levantar de investidores seis milhões de dólares! Isso tudo aconteceu em 2016. E como estamos agora?

Pois bem, a Kuvée está fechando as portas. Ela parou de vender seus produtos, está liquidando o estoque de vinhos e, oficialmente, está procurando alguém interessado em comprar a empresa para dar continuidade ao negócio.

E quais motivos ela alega para não ter conseguido sobreviver no mercado? São, basicamente, dois motivos: os incêndios que ocorreram nas vinícolas na região de Napa, na Califórnia, dificultando a criação de estoque para expandir os negócios, e a necessidade de altos investimentos para educar o mercado, implicando que o mercado ainda não estava pronto para seu produto “revolucionário”!

Mas, que lições podemos tirar deste quase sucesso?

Primeiramente, que é aparentemente fácil levantar recursos para concretizar ideias inovadoras. Afinal, esta ideia conseguiu levantar seis milhões de dólares em apenas três horas!

Mas, principalmente, que ideias inovadoras precisam sobreviver ao escrutínio do mercado, normalmente reacionário. É necessário primeiro criar a necessidade para então oferecer a solução. E isto pode ser conseguido por campanhas de marketing bem planejadas, por parcerias com empresas já estabelecidas no mercado ou por um planejamento de crescimento realista que leve em conta não só os recursos financeiros como a curva de aceitação do público alvo.

O mundo tecnológico hoje é muito rápido. Rapidamente você consegue criar e documentar uma boa ideia, patenteá-la até. Por preços razoáveis consegue montar uma campanha de marketing de um produto que ainda nem existe, colocá-lo na mídia e procurar investidores.

Levantar investimentos pode demorar um pouco mais e você corre o risco de demorar demais e sua ideia perder validade. Mas, se consegue o investimento com certa rapidez, aí começam os verdadeiros desafios.

Obviamente, você não pensou nos mínimos detalhes de por seu produto em produção. Você corre o risco de demorar mais que imaginava, enfrentar dificuldades não previstas ou até mesmo ver que seu produto é inviável sem algumas modificações razoavelmente pesadas.

Ou até mesmo corre o enorme risco de receber ou ter novas ideais no meio de caminho e se sentir compelido a alterar o produto original para absorver estas novas ideias, atrasando o desenvolvimento e alterando a funcionalidade original do produto que você “vendeu” aos investidores.

Para que você não incorra nestes erros o principal segredo é ter na sua equipe profissionais focados em gerenciar e executar um projeto. Não é mais a hora de ter ideias brilhantes. É a hora de cumprir cronogramas e orçamentos, de buscar fornecedores e parceiros confiáveis e capazes, de detalhar o plano de marketing e comercialização e de definir a forma e o ritmo de crescimento da sua nova empresa.

E neste assunto, entenda muito bem seu mercado consumidor, pois ele pode ser reacionário à sua ideia. Neste caso, seu planejamento deve prever uma curva lenta de crescimento e muito gasto com marketing “educativo”.

Em resumo, entenda que boas ideias vão encontrar interessados em investir nelas, mas o sucesso vai muito além de ter quem as apoie e de criar protótipos e provas de conceito. É preciso preparação, planejamento e profissionalismo.